APENAS ESCREVA …

APENAS ESCREVA…

Escrever é a terapia, que nos livra da tristeza do dia, que nos liberta da ira vadia, da explosão que nos implodiria. Acalme seu coração nas frases, que lhe ajudarão a superar suas fases. Cure-se com palavras, sentimentos e suas lavras. Liberte-se escrevendo, por mais que ninguém acabe lendo. Tornou-se então eterno e livrou-se do seu inferno… de sua penúria, da fúria que pela injúria, dominaria seus sentimentos pela incúria.


Há pessoas de sorte, que se revelam em um simples olhar, uma alma de sorte que em um único instante consegue se desnudar. E feliz e abençoada é essa alma que de pronto se faz compreender. E há aqueles que se sujam de tinta, e em minuciosas e complexas obras, pintam para expor ao mundo seus sentimentos exteriorizados em forma de arte. Há os que aleijam a mão ao entalhar a rocha, como também aqueles que estouram a garganta tentando alcançar um tom, e juntos com os pianistas que arrebentam os tendões dos pulsos em exaustivos e solitários ensaios, todos estão a espirar sua alegria, ou sua tristeza.  
 
Mas o mundo tem nos irritado. Seja pela briga no espaço do trânsito, seja pela ausência do silêncio na hora de dormir, estamos em constante pressão. E essa pressão as vezes extrapola os muros do bom senso, e nos leva aos tapas na mesa, aos palavrões sem freio, à perda do autocontrole. Somos então reféns de nossos piores defeitos, embarcamos em nossos mais violentos reflexos, e mostramos ao mundo um rosto que não é nosso, uma face distorcida pela cara feia.
 
Mais grave ainda fica ao nos tornarmos compadecidos de nossas próprias dores, julgando-nos vítimas de tudo e de todos, mal amados, mal compreendidos, mal pagos, mal reconhecidos. Somos vítima, acusador, juiz e executor. E na centrífuga da alma, começam a surgir os raios que atingirão os outros, e à nós mesmos. E se nossa terapeuta não nos consegue receber no dia e na hora que nos julgamos a pessoa mais necessitada do mundo, somos uma horda em um ser humano só. Feito uma brigada de bárbaros deceparemos cabeças, pilharemos cidades, empilharemos cadáveres de amizade desfeitas, e ao cansar o braço, ao perder o fio da foice que mal conseguimos mal empunhar, olharemos para trás com vergonha. E a vergonha se vestirá de insuportável tristeza quando percebermos que muito do que fizemos, não tem mais volta, não tem mais conserto. Será impossível conviver com essa dor. Para sobreviver, você terá que se tornar insensível, e no ciclo vicioso destruidor da insensibilidade, menos amor e mais vaidade, haverá mais maldade contra você, que compadecido de si, tornar-se-á ainda mais vítima, e julgará mais justificáveis as suas reações.
 
Então, APENAS ESCREVA!
 
É nesta hora que eu divido com você a minha maior terapia, aquilo que tira de mim a ira que me sonda, a revolta que me cerca, e a tortura que as vezes me pesa. Apenas escrevo. Lanço foro do peito aquilo que mal me tem feito. Falo de minha indignação para uma terapeuta imaginária, que mesmo sem qualquer anotação, sabe tudo de mim, e onde mereço atenção. E com precisão cirúrgica, tenho conseguido remover o câncer do rancor, a lepra da dor, a hipertensão da ansiedade, as fraturas da maldade, a enxaqueca da deslealdade, a depressão da falta de empatia, e a cólera da insensibilidade.
 
Então, apenas escreva. Ao escrever, buscando usar o português mais adequado, haverá de reler este ou aquele trecho, e em movimento rápido e fugaz de plena magia, um milagre eu diria, será você que faz sua própria terapia. Usando a palavra como espada, o peito inundado de sentimento como ideologia, a publicação como armadura, e o texto como a mais bela narrativa de sua luta, haverás de ser um cavalheiro, de honra e justiça para consigo mesmo. E se não lerem, se não publicar, se ainda assim quiser guardar o seu texto em um arquivo de seu computador, haverá de ter se curado. E por não ter citado nomes, por acalmar e saciar sua fome de vingança, o que há de mais belo de tudo isso, é que você não feriu ninguém.
 
Então, apenas escreva.
 

APENAS ESCREVA...

Escrever é a terapia, que nos livra da tristeza do dia, que nos liberta da ira vadia, da explosão que nos implodiria. Acalme seu coração nas frases, que lhe ajudarão a superar suas fases. Cure-se com palavras, sentimentos e suas lavras. Liberte-se escrevendo, por mais que ninguém acabe lendo. Tornou-se então eterno e livrou-se do seu inferno... de sua penúria, da fúria que pela injúria, dominaria seus sentimentos pela incúria.

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