ESQUINAS, A PRESSA E A COLISÃO EM UM MUNDO LOUCO

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Vivemos um tempo diferente. Não existe mais a ideia de família, de valores, de limites, de honestidade. No lugar disso, surge um mundo apressado, e ensimesmado, correndo como louco atrás dos prazeres, da satisfação imediata, do “eu quero ser feliz e pronto”. Neste mundo louco, as pessoas correm pelas ruas e se esquecem de que existem esquinas. Com a pressa, o acidente é certo. É inevitável que no mundo acelerado, as pessoas que cruzam os sinais colidam com alguém que corre em outra direção. E é natural que as direções sejam diferentes, pois não há uma pessoa igual a outra.

Mas em um mundo tão mudado, grupos assumem uma certa direção, pela religião, pela ideologia política, por uma visão social ou questão profissional, colidindo a cada instante, uns com os outros, e perdendo a noção de coletividade, tornando inviável a própria noção da urbe. E é claro que se as direções são diferentes, e cada grupo justifica-se em sua pressa, cada um pensa estar na preferencial, imaginando-se titular da razão, legítimo detentor do direito de acelerar, de ultrapassar, de não parar. A cada choque, um novo litígio se forma, e mais e mais os grupos vão encontrando diferenças, passando a não mais serem grupos ou pessoas distintas, diferentes, passando a agir como rivais. E entre os rivais, a hostilidade é a regra. Se antes o choque era um acidente de percurso, entre rivais, ele não precisa ser mais evitado.

E assim se acumulam os corpos nas esquinas, vertendo sofrimento, tristeza, manchados pelas desavenças, pela tristeza, pela satisfação inalcançável.

Mas dentre estes grupos, as maiores diferenças de direção ocorrem justamente entre as gerações. Enquanto uma percebe que o mundo mudou, que todos seguem para leste, quando no seu entender o certo seria o norte, outra segue para o oeste, querendo mudar o mundo, pois o certo mesmo seria o sul. Está formado o quadro perfeito do acidente. E eles acontecem em todas as esquinas, de todas as formas, de abalroamentos a colisões frontais.

Mas há solução? Se tantos assumem direções diferentes, é possível encontrarmos uma forma destas pessoas se movimentarem sem que colidam de forma tão catastrófica? A história nos responde, e a solução foi

Mas há solução? Se tantos assumem direções diferentes, é possível encontrarmos uma forma destas pessoas se movimentarem  sem que colidam de forma tão catastrófica? A história nos responde, e a solução foi encontrada.

É necessário respeitar os sinais, respeitar regras, manter a atenção, e principalmente, não se permitir ceder a brutalidade deste trânsito. Em um determinado momento, onde não há preferencial, a regra básica de que vem da direita pode ser a solução. Mas mais que a regra, surge a oportunidade para a gentileza, para se tentar ser melhor, estender a mão e dar passagem. E a nossa pressa? Quem sabe o outro tenha ainda mais pressa, esteja mais atrasado, precise acelerar mais.

Mas além das regras das esquinas, existem outros limites, os limites da velocidade, que parecem não fazer sentido, mas que nos cruzamentos passam a ser de fácil compreensão. Ao se obedecer os limites de velocidade no meio da quadra, podemos estar evitando o choque fatal na próxima esquina. Estas placas de velocidade no meio da quadra, aparentemente sem razão de ser, questionáveis prima facie, justificam-se perfeitamente nas esquinas, onde haverá apenas um sinal, uma placa de pare, ou nada, mas um cruzamento, pelo qual haverá de passar tão acelerado quanto você, alguém que segue em outra direção.

Desacelere, conduza-se em suas direções com cuidado, obedeça os sinais, observe os limites de velocidade, troque de direção, ou até mesmo volte se necessário, mas não deixe de observar as regras. Elas não existem para te impedir de chegar ao seu objetivo, apenas pretendem garantir que você chegue lá bem, com o mínimo de acidentes possível, e sem deixar nenhum ferido pelo caminho.

Desacelere, e chegue bem.


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